22 de setembro de 2016
10 de outubro de 2012
Sociedade Desescolarizada(1)(3)
Oficina livre de Pipa. Ocupação Eliana Silva, Belo Horizonte - MG. Setembro / 2012
"Muitos estudantes, especialmente os mais pobres, percebem intuitivamente o que a escola faz por eles. Ela os escolariza para confundir processo com substância. Alcançado isto, uma nova lógica entra em jogo: quanto mais longa a escolaridade, melhores os resultados; ou, então, a graduação leva ao sucesso. O aluno é, desse modo, «escolarizado» a confundir ensino com aprendizagem, obtenção de graus com educação, diploma com competência, fluência no falar com capacidade de dizer algo novo. Sua imaginação é «escolarizada» a aceitar serviço em vez de valor"
Ivan Illich
Ivan Illich
Quando comecei a filmar o documentário sobre educação democrática em janeiro, com o Raul Perez (http://oracaoemmovimento.blogspot.com.br/2012/06/o-controle-nas-escolas-tem-dias.html), era forte defensor de uma escola repensada (ou alternativa se considerarmos como padrão a escola disciplinadora atual), mas não cogitava defender a desescolarização(2) em nenhum momento, até porque eu ainda pouco compreendia sobre o assunto.
Uma das mais importantes entrevistas que realizamos foi com Tião Rocha, uma longa e deliciosa lição de vida, carregada de ricas experiências, que durou quase três horas (fizemos apenas duas perguntas). Tião declarou-se abertamente contra a escola, argumentou sobre as posições hierárquicas, sobre o poder e sobre a profunda diferença entre ensinar e aprender, onde o Educador é aquele que aprende. Tião expressava uma certa aversão até mesmo a palavra escola, me parecia algo dolorido a ele, falar desta instituição.
Semanas depois fomos filmar o CPCD em Curvelo - MG, projeto plataforma que Tião e sua equipe desenvolvem em algumas cidades do Brasil, entre os projetos que abarca estão três educacionais, todos no contra-turno escolar, nunca como escolas. Então comecei a entender aquilo, a democracia na pedagogia da roda, o aprender brincando e a convivência com muita afetividade. Mas ainda assim não entendia porque ele não reinventou a escola institucional, ao menos assim ele não forçaria meninas e meninos a ficarem presos em um dos períodos do dia.
Depois foi a vez da Tia Dag, na Casa do Zezinho. Senti em sua fala a mesma dor e a mesma aversão ao falar da escola. A essas alturas (mais de quatro meses respirando o filme e o projeto) eu já estava muito mais convencido do que durante o processo de pesquisa, de que a escola atual, disciplinadora, é pior do que presídio, que aliás os presídios são inspirados nas escolas. Mas ainda assim, não compreendia por qual motivo ela e sua equipe foram capazes de em 18 anos construir aquela coisa maravilhosa, que atende hoje mais de 1000 crianças diariamente (de forma democrática, estimulando a criatividade, a convivência afetiva, o conhecimento das cosias e de sí mesmo, ...) e não ter de alguma forma reinventado a escola obrigatória, a instituição.
Até que, enfim, tomei contato com a obra de Ivan Illich, em especial o livro "Sociedades sem escolas". E entendi como foi fundamental não ter descoberto isso antes, mas durante o processo. Illich é um visionário, já falava em 1971 sobre as redes de conhecimento e o aprendizado livre, longe da hierarquia escolar que reproduz o massacrante modelo atual de nossa civilização. Em sua obra ele descontrói o progresso e as instituições, demonstra claramente o absurdo que estamos cometendo com as escolas que temos hoje. E mais especialmente ainda, no final de seu livro, discorre sobre o processo de aprendizado em rede, do modo como este caminho é libertador.
Obviamente que se trata de algo radical se compararmos com a situação atual, já que nossa sociedade é profundamente arraigada no vigiar e punir controlador das instituições. Mas tomar contato com este texto, me fez compreender que a reinvenção pode ser muito mais complexa e certamente não será homogênea. Teremos em um primeiro momento diversas escolas (ou não escolas) em diversos lugares de diversas formas (cada uma se reinventando e sendo, enquanto individualidade, enquanto escola única, assim como me alertou José Pacheco em 2009). E em um segundo momento, algo que talvez ainda nem consigamos conceber na imaginação, mas arrisco dizer que serão as verdadeiras cidades-escolas, com aprendizado livre, onde tudo e todos os lugares são propícios a troca, as vivências, a propagação do conhecimento, da arte, da expressão e da vida.
Para concluir, uma dose de inspiração:
==
(2) des + escolarizar. Escolarizar (dicionário aurélio): Submeter-se ao ensino escolar.
(3) O título original desta postagem era "Sociedade sem escolas", o que foi alterado conforme sugestão de Luiz de Campos, conforme pode ser verificado no comentário.
28 de julho de 2012
Remar.
Na semana passada pude assistir a um dos mais belos filmes lançados recentemente (o melhor do ano até agora, sem dúvida), "On the Road" dirigido por Walter Salles sobre a principal obra de Jack Kerouac. Gostei muito da história (não li o livro) e da leitura que a equipe de realizadores fez dela. Conseguiram me sensibildzar profundamente sobre o potencial que temos em ser nós mesmos, de como expandimos, potencializamos e a nossa capacidade gigantesca de realizar - é quando rompemos com as amarras sociais e controladoras que conseguimos ascender sobre nós mesmos.
O filme me levou a refletir profundamente em como cedemos ao massacre social - o que o Agusto de Franco tem escrito sobre a Matrix - que nos impedem, nos formatam e homogenizam. Para romper com isso e realizar, e ser, e voar, apenas vendo as coisas de um jeito diferente, conseguindo escapar do sistema que nos bloqueia, se rebelando e enlouquecendo com este. Apenas assim conseguimos vencer a nós mesmos (e tudo aquilo que aprisionaram em nós) e fazermos de nosso mundo aquilo que queremos.
Sobre isso ainda escrevi para uma querida amiga esses dias:
"Questões positivas da vida. Por favor, fé na vida que os espíritos remam muito a nosso favor, a correnteza joga a favor, so temos que remar (trabalhar) que tudo flui. Não podemos é remar ao contrário - isto é: impedindo nossos processos, pensando e concentrando pensamentos fixos no cansaço, no desanimo e nos desdobramentos na falta de fé - ser velho é só pra quem desacredita, ser jovem é pra todos que seguem sonhando, que entendem que o espírito é eterno e que ser jovem é questão de mente aberta apenas."
26 de junho de 2012
O controle nas escolas tem dias contados
Roda de contação de histórias, projeto Sementinha (CPCD) em Curvelo - MG. 15/05/2012
Como alguns sabem, estou realizando com o Raul Perez um documentário sobre Educação Formal Alternativa, trata especialmente de educação democrática e dialoga com Pedagogia Espírita e "Educação tradicional". A ideia começou a germinar quando visitei a Escola da Ponte (http://oracaoemmovimento.blogspot.com.br/2011/01/impressoes-escola-da-ponte.html) em Janeiro de 2011, quando na ocasião encontrei o Raul (amigo de longa data) que estava de intercâmbio em Coimbra. Então ao longo de 2011 buscamos pessoas, leituras, filmes e obviamente estudar e realizar documentários. Em Janeiro começamos a rodar, período que se estende até o presente, com cerca de 90% do material gravado e filme começando a tomar forma na montagem. Foram mais de 20 entrevistas com muita gente bacana, Luiz Algarra, Tião Rocha, Helena Singer, Simone André (Instituto Ayrton Senna), Dora Incontri, Leonardo Brant, Alexandre Sayad, Tia Dag e muitos outros, além de boas conversas com José Pacheco e outros.
Além das entrevistas, registramos 3 escolas (iremos registrar mais uma) e 2 projetos de contra-turno escolar. É ai evidentemente que mora o trunfo e o mais incrível das vivências do projeto: as crianças. Antes que me perguntem, as escolas democráticas em geral não tem sala de aula (nem aula), horário definido, turmas homogêneas, algumas não tem nem mesmo turma. Em geral, as crianças pautam suas atividades, o que querem estudar, quando querem estudar, aonde querem estudar. Se precisam, vão ao computador, a biblioteca, aos tutores, aos murais de ajuda, enfim, são autonomas para definir suas ações. As crianças vão se desenvolvendo em ritmos diferentes, aprimorando potencialidades diferentes e criando muito, a criatividade é sempre muito estimulada. E ao contrário do que muitos pensam a primeira vista: A ausência do controle não gera baderna nem indisciplina, muito pelo contrário. As crianças vão naturalmente atrás de desenvolver seus gostos e vontades, criam uma relação afetiva positiva com o conhecimento e aprendem a ser educadas - fator fundamental para conviver em comunidade.
Ontem foi dia de gravar mais uma diária no Projeto Âncora (escola que vem sendo carinhosamente construída em Cotia - SP), fomos registrar uma roda de conversa com as crianças da Turma do Aprofundamento, turma que tem o maior grau de autonomia na escola, onde cada educando elege o que quer fazer, quando quer fazer, pedindo ou não orientação e auxílio de colegas e tutores. Me fascina como são educadas essas crianças, me fascina como são livres para pensar, como são criativas e vivas. Sim porque criança é pra ser viva e não morta como a maioria dos adultos que vão se alienando com o tempo. Criança livre é como pássaro fora da gaiola, sabe fazer voar nos ventos da imaginação, não se prendem no ninho dada a sede de autonomia, vão logo caminhando com as próprias pernas, com ritmo e passos próprios.
Um dos meninos muito nos encantou, Lohan (me perdoa se escrevi teu nome errado) de 9 anos, disse que vai escrever um roteiro de filme de terror, pra gravar comigo e com Raul, nos falava isso em meio a suas criações que misturavam personagens da mitologia grega. Ele não é especial, é criança normal, a diferença é que sem o controle rígido da "escola tradicional" (que temos desde o século XVII) ele caminha por onde quer, desenvolve muito mais suas potencialidades, colabora muito mais com seu meio de vivência, é mais vivo e voa mais, muito mais.
Um dos sintoma simples que me diz tudo isso é: Essas crianças gostam da escola que frequentam, já viu em alguma "esocola tradicional" criança gostar de frequentar? são raros....
Mas fico tranquilo, Pestalozzi (e muitos outros) já propuseram novas formas de fazer a escola há muito tempo, nós que ainda somos lentos para captar os exemplos. Já está tudo acontecendo, tudo se transformando no silêncio, quando Pacheco me disse que acompanhava mais de 50 projetos de escolas que realizam educação de uma forma diferente no Brasil, eu assustei, mas logo fui entendendo que as mudanças estão acontecendo no silêncio e tem muita gente fazendo diferente. Além é claro em outras frentes contemporâneas como o homeschooling que finalmente começa a chegar com efeito no Brasil.
Em tempo de greve nas federais, de míseros 5% do PIB para a educação, o ideal mesmo seria implodir o MEC (como sugeriu Pacheco no Congresso de Arte-educação em Sp, 2009) ou pelo menos as Secretarias que tanto aprsionam o sistema.
==
Não posso deixar de citar e agradecer os queridos amigos que muito colaboram pra essa obra: Rafael Barreiro e Julia Rufino.
"Pois sonhos são testemunhos,
de que a alma se recusa
a se tornar um pássaro engaiolado"
Rubem Alves
Como alguns sabem, estou realizando com o Raul Perez um documentário sobre Educação Formal Alternativa, trata especialmente de educação democrática e dialoga com Pedagogia Espírita e "Educação tradicional". A ideia começou a germinar quando visitei a Escola da Ponte (http://oracaoemmovimento.blogspot.com.br/2011/01/impressoes-escola-da-ponte.html) em Janeiro de 2011, quando na ocasião encontrei o Raul (amigo de longa data) que estava de intercâmbio em Coimbra. Então ao longo de 2011 buscamos pessoas, leituras, filmes e obviamente estudar e realizar documentários. Em Janeiro começamos a rodar, período que se estende até o presente, com cerca de 90% do material gravado e filme começando a tomar forma na montagem. Foram mais de 20 entrevistas com muita gente bacana, Luiz Algarra, Tião Rocha, Helena Singer, Simone André (Instituto Ayrton Senna), Dora Incontri, Leonardo Brant, Alexandre Sayad, Tia Dag e muitos outros, além de boas conversas com José Pacheco e outros.
Além das entrevistas, registramos 3 escolas (iremos registrar mais uma) e 2 projetos de contra-turno escolar. É ai evidentemente que mora o trunfo e o mais incrível das vivências do projeto: as crianças. Antes que me perguntem, as escolas democráticas em geral não tem sala de aula (nem aula), horário definido, turmas homogêneas, algumas não tem nem mesmo turma. Em geral, as crianças pautam suas atividades, o que querem estudar, quando querem estudar, aonde querem estudar. Se precisam, vão ao computador, a biblioteca, aos tutores, aos murais de ajuda, enfim, são autonomas para definir suas ações. As crianças vão se desenvolvendo em ritmos diferentes, aprimorando potencialidades diferentes e criando muito, a criatividade é sempre muito estimulada. E ao contrário do que muitos pensam a primeira vista: A ausência do controle não gera baderna nem indisciplina, muito pelo contrário. As crianças vão naturalmente atrás de desenvolver seus gostos e vontades, criam uma relação afetiva positiva com o conhecimento e aprendem a ser educadas - fator fundamental para conviver em comunidade.
Mapa que criamos no processo de pesquisa teórica - Janeiro, 2012.
Ontem foi dia de gravar mais uma diária no Projeto Âncora (escola que vem sendo carinhosamente construída em Cotia - SP), fomos registrar uma roda de conversa com as crianças da Turma do Aprofundamento, turma que tem o maior grau de autonomia na escola, onde cada educando elege o que quer fazer, quando quer fazer, pedindo ou não orientação e auxílio de colegas e tutores. Me fascina como são educadas essas crianças, me fascina como são livres para pensar, como são criativas e vivas. Sim porque criança é pra ser viva e não morta como a maioria dos adultos que vão se alienando com o tempo. Criança livre é como pássaro fora da gaiola, sabe fazer voar nos ventos da imaginação, não se prendem no ninho dada a sede de autonomia, vão logo caminhando com as próprias pernas, com ritmo e passos próprios.
Um dos meninos muito nos encantou, Lohan (me perdoa se escrevi teu nome errado) de 9 anos, disse que vai escrever um roteiro de filme de terror, pra gravar comigo e com Raul, nos falava isso em meio a suas criações que misturavam personagens da mitologia grega. Ele não é especial, é criança normal, a diferença é que sem o controle rígido da "escola tradicional" (que temos desde o século XVII) ele caminha por onde quer, desenvolve muito mais suas potencialidades, colabora muito mais com seu meio de vivência, é mais vivo e voa mais, muito mais.
Um dos sintoma simples que me diz tudo isso é: Essas crianças gostam da escola que frequentam, já viu em alguma "esocola tradicional" criança gostar de frequentar? são raros....
Mas fico tranquilo, Pestalozzi (e muitos outros) já propuseram novas formas de fazer a escola há muito tempo, nós que ainda somos lentos para captar os exemplos. Já está tudo acontecendo, tudo se transformando no silêncio, quando Pacheco me disse que acompanhava mais de 50 projetos de escolas que realizam educação de uma forma diferente no Brasil, eu assustei, mas logo fui entendendo que as mudanças estão acontecendo no silêncio e tem muita gente fazendo diferente. Além é claro em outras frentes contemporâneas como o homeschooling que finalmente começa a chegar com efeito no Brasil.
Em tempo de greve nas federais, de míseros 5% do PIB para a educação, o ideal mesmo seria implodir o MEC (como sugeriu Pacheco no Congresso de Arte-educação em Sp, 2009) ou pelo menos as Secretarias que tanto aprsionam o sistema.
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Não posso deixar de citar e agradecer os queridos amigos que muito colaboram pra essa obra: Rafael Barreiro e Julia Rufino.
Em breve iremos lançar o projeto no Catarse, para conseguir através de Investimento / financiamento coletivo, a verba para editar e finalizar o filme. Pretendemos lançar ainda este ano, disponibilizando tudo grauitamente online, inclusive as entrevistas completas.
3 de maio de 2012
Surpresas e frustrações...
"Precisamos fazer um exercício difícil, mas extremamente necessário: o exercício do desprendimento de nossas expectativas"
( Bento José / Pedro Camilo )
Surpresa e frustração de uma pessoa em relação a outra são derivadas da esperança de algo em relação aquelas pessoas. Só nos frustramos ou nos surpreendemos com alguém quando julgamos ela, criamos um resumo - concepção a seu respeito (quando resumimos todo aquele universo de um infinito histórico que é aquela pessoa - espírito a algumas posturas, fatos, títulos e atitudes) e nos deparamos com algo não esperado a essa concepção - resumo.
Portanto, não é interessante que eu me frustre ou me surpreenda com alguém, mais que isso, que eu crie concepções - resumo a seu respeito, pois, estarei tirando sua liberdade de ser e seu livre arbítrio de agir (além de me julgar superior a ela).
9 de fevereiro de 2012
Ninguém aguenta ser massa...
Tom Zé no Trama / Radiola - Arquivo
"A faixa esmagada vive bem, mas se sente brutalizada por que ninguém é gente.
Ninguém aguenta ser massa!"
Ontem a noite tive o prazer de participar de uma roda de conversa com Gustavo Taretto, o diretor Argentino de Medianeras (um dos filmes que considero dos melhores de 2011, muito recomendo). O filme trata do Amor em Buenos Aires na era virtual, onde dois jovens que moram na mesma rua não se encontram. Como muitas outras obras do invejável cinema Argentino, trata de coisas simples do cotidiano e dessa forma atinge profundamente as pessoas que estão sonhando aquele sonho coletivo na sala do cinema.
Respondendo a uma das últimas perguntas, que tratava do porque os Europeus invejam tanto a criatividade do cinema Latino Americano, ele disse mais ou mens o seguinte: "Na Europa tudo funciona, esse aburguesamento estraga a criatividade. Na América Latina nada funciona direito, você para conseguir viver, tem de ser muito criativo, pois aqui a vida é muito imprevisível. Já na Europa é tudo muito previsível".
Então matutando algumas reflexões, conclui que talvez, devido a intensa imprevisibilidade da vida aqui (desempregos, crises, pobreza, transporte, enchentes, ...) é que haja tanta esperança e fé. Pois há uma constante crença de que as coisas vão acontecer e que vão dar certo (são poucos os que realmente desacreditam, são tachados de pessimistas). E esse acreditar fortalece e move as pessoas, fazendo com que de modo criativo e com escassos recursos, se ajuntando, se ajudando (em especial nas comunidades mais pobres), elas fazem as coisas acontecer, fazem ser possível sua realização. Essa coisa de estar sempre em crise (e não se iludam com a economia, a miséria continua a existir nas esquinas Brasileiras) fortalece muito o fazer e a forma de fazer na América Latina. E mais, acho que a forma caótica de sobrevivermos (em função da imprevisibilidade) é que nos faz crescer, aprender e evoluir tanto (aos que percebem e se abrem pra isso obviamente, que se permitem), pois é sabido que por mais doloridos e temidos, são os momentos de crise que nos fazem refletir profundamente, sair do estado mecânico e alienante, se forçando a recriar caminhos, escolhas, planos e ações.
Por isso, tive um certo repúdio quando no final do ano passado o Guido Mantega afirmou que "serão necessários até 20 anos para que os brasileiros tenham um padrão de vida semelhante ao dos europeus", pois não quero um padrão de vida semelhante ao Europeu. Quero ao contrário, fortalecer cada vez mais um modo Latino de vida digna (e que o Brasil se vire de frente para a América Latina finalmente...), que não me deixe ser alienado porque tudo funciona e dá certo. Nossa vida ainda precisa de muita Tropicália. Tom Zé que o diga...
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3 de fevereiro de 2012
"Felicidade é Só querer": Ela também tem penas, também quer voar.
"Felicidade é Só querer": Ela também tem penas, também quer voar. | Pastel Oleoso sobre Papel 300gr. texturizado | Fevereiro / 2012
Finalmente chegou a companheira deste aqui: http://oracaoemmovimento.blogspot.com/2010/11/empenou-cabeca-pra-fazer-voar.html
Encontrou uma que tem penas na cabeça também, que também quer fazer voar a imaginação. Muito tempo depois da primeira, a inspiração chegou pra esta. E por ai, há um lugar...
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8 de janeiro de 2012
Sopradas ao vento.
The answer my friend, is blowing in the wind. Fotografia digital. Lins - SP, Dez / 2011
A vida é feita de ciclos. Ciclos que as vezes completamos, as vezes não, e não digo aqui dos ciclos formais como escola, família e coisas assim, digo dos ciclos informais, mais emocionais e sensoriais que estão perdidos no cotidiano, nas coisas simples e complexas que se desenrolam em nosso nariz e as vezes não damos conta.
As pessoas são fundamentais para estruturarem esses ciclos. Elas entram em nossas vidas e se vão num estalar de dedos, mas nesse espaço de tempo que por nós estiveram, que por nós passaram, promovem proezas em nossas vidas, acho até mesmo que elas é que formam esses ciclos e não nossas escolhas. E claro, isso nunca está sob nosso controle (como quase tudo ou tudo na vida).
São amigos, chefes, namoradas, professores e por ai vai. Com um magnetismo e um carisma gigantesco sobre nós, aprimoram nossos gostos, nos ajudam a refazer nossas rotas, nossas escolhas e evidentemente, tocam profundamente nossos corações. Alguns duram anos, mas outros, promovem mudanças com apenas um encontro conosco. Quando ligamos os pontos depois de uma longa etapa, naquele momentos de pura reflexão, percebemos como e quando essas pessoas mexeram com a gente (claro que de modo totalmente impreciso e emocional) e acho que só ai nos damos conta do quanto essas pessoas são fundamentais pra sermos o que somos hoje. É só quando este ciclo já foi fechado e você já está entrando em um novo, em uma outra fase, que você percebe que só é o que é pelo que fizeram com e de você.
As novas portas, as novas cores e as novas pessoas que virão, que farão da tua vida isso ou aquilo, já estão por ai, sopradas ao vento e dentro de você, estão sendo gestadas pelos encontros que estão por vir.
6 de setembro de 2011
Vai desabarágua!
"Quebrando a casca" - Junho/2011
"Vai desabar água
Algodão vai,
Desabar água
Pra lavar o que tem que limpar
Pra lavar o que tem
Vai desabar água e é pro nosso bem"
[Gero Camilo e Alfredo Bello]
Mais uma volta na espiral? Só o tempo vai dizer.
O processo de expurgação vem no início a passos lentos, como ondas fracas e mirradas, que nunca alcançam os pés na beira da praia. Mas depois de ganhar força, depois de consumir as energias que lhe são próprias, que lhe estão guardadas, depois de revirar no seu íntimo todas as dores, angústias e fraquezas do ser, pede ao céu a chuva, o socorro e ai a água desaba... Lava tudo, limpa, desce numa torrente só, trazendo as impurezas, jogando tudo pro mar reciclar, vem a ressaca, derrubando tudo e jogando pra fora tudo aqui que não é mais seu, que já consumiu dentro o que tinha de consumir.
É pro nosso bem.
E ai, vem a calmaria, a paz, a renovação.
As vezes duram dias, meses, anos, vidas, milênios.
Mas sempre renova, pois nada além de Deus é passível de eternidade.
12 de agosto de 2011
E no meio do antagonismo, o caminho.
Jardim botânico, Curitiba - PR, Julho/2011
Sempre aquilo que aparenta ser antagônico, possui um caminho. Que fica bem no meio, as vezes mais pra um lado do que pro outro, mas a escolha não é absolutamente uma coisa ou outra. Esse caminho aliás é sempre um pouco de um e do outro, nossas escolhas não são só isso ou aquilo porque somos seres humanos, tristes e alegres, irritados e calmos, explosivos e harmonizados. Sempre "e", tá ai o teatro, o bom e velho Yin-Yang e tantas outras representações e simbologias pra nos mostrar isso.
São as forças complementares que estão em tudo e todos.
Nas trilhas da vida, frequentemente, muito mais do que diariamente (praticamente em todos os momentos) fazemos escolhas, só nos damos conta disso quando se tratam das mais complexas e consequentemente mais direcioandoras do nosso caminho aqui e agora. Sempre trazem as consequencias, que nos agradam ou desagradam - e ainda acho que isso está ligado a nossa harmonia com o cosmos e com o Universo, pois só nos frustramos quando não escolhemos o caminho que a vida nos pediu, se estivermos em harmonia portanto, faremos as escolhas que a vida nos pede e não o que racionalmente queremos - e daí as frustrações, os desânimos e em segundo momento, se formos corajosos e persistentes as mudanças e as satisfações.
Em harmonia ou não, estamos aqui pra aprender, nada é definitivo. O universo do efêmero, das constantes mudanças e dos infindáveis estados da alma nos permitem sempre mudanças e renovações, se você não está satisfeito, não tenha medo de mudar, o bem estar está sempre a bater na sua porta, e satisfeito ou não, viva tranquilamente. As coisas vão acontecendo e se desdobrando a todo instante, estar sempre disposto a relações e acontecimentos positivos em todos os sentidos e para todos os lados é a chave da tranquilidade.
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9 de agosto de 2011
Descobrindo Jodorowsky...
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26 de julho de 2011
O Inferno pra outro lugar
"Subo nesse palco, minha alma cheira a talco
Como bumbum de bebê, de bebê
Minha aura clara, só quem é clarividente pode ver"
Alguns espíritos fazem questão de que sua passagem na terra seja repleta de acontecimentos marcantes para a sociedade como coletivo, são os tais 'fueguitos' que o Galeano conta no vídeo abaixo. E o fazem não porque querem ou por orgulho, mas porque já são luminosos demais pra passarem batidos. Estão por todos os cantos, e com ou sem projeção midiática (evidentemente que a maioria deles o coletivo nem conhece) revelam cores antes não imaginadas, belezas antes não pensadas, promovendo avanços e estímulos grandiosos. Alguns muitos se perdem (mergulhar nesse mar superdenso aqui de fato não é tão simples) mas outros se revelam e fazem 'brilhar a vossa luz'. Gil ao meu ver é um desses que é estrela e 'brilha e rebrilha essa escuridão'. Muito além da beleza estética, das reflexões diversas e novos pontos de vista para se ver e sentir, traz na sua obra (e que vasta obra...) uma certa leveza que não encontro tão facilmente nos novos ou velhos da mpb, uma coisa de conseguir elevar com alegria que é mais presente nas músicas regionais ou até mesmo no samba. E olha que não são em poucas músicas, falo de bastante coisa na sua obra (claro que ainda conheço muito pouco dela, enfim), porque isso está contido nele, é dele.
E ainda mais, além de prosseguir realizando na música, ele já espalhou isso por muitos outros campos, o mais recente é sem dúvida sua passagem pelo ministério e a grande sacudida que fez por lá, buscando implantar a consciência do colaborativismo e do trabalho em rede (que já dá sinais claros de ser a onda do começo da regeneração), das articulações coletivas e da criatividade.
Enfim, sendo breve e não partindo pras discussões das políticas culturais, deixo aqui este singelo agradecimento a nobre pessoa que é o Gil, que nos ultimos meses tem sido fator importante na minha retomada de alto estima com o campo profissional =)
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16 de julho de 2011
7 de julho de 2011
(Minha casa incendiou
agora nada obstrui
a visão da lua)
[Mizuta Masahide]
[ Haicai roubado do blogue de Joca Reiners Terron que por sua vez roubou de Cecilia Pavón que por sua vez roubou-o do blogue de Ceci Martinez Ruppel -- cujo link assim como Joca, não encontrei ]
agora nada obstrui
a visão da lua)
[Mizuta Masahide]
[ Haicai roubado do blogue de Joca Reiners Terron que por sua vez roubou de Cecilia Pavón que por sua vez roubou-o do blogue de Ceci Martinez Ruppel -- cujo link assim como Joca, não encontrei ]
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29 de junho de 2011
12 de junho de 2011
Floristas do do Universo
"Nossa alma cresce e amaduresce
se expande em essencias
assim como um jardim se enobresce
flores das mais variadas
cultivadas ao longo das existencias
em nossas moradas
Conquistas sutis, enorme primor
aromas encantadores
inestimável valor
São flores únicas
se desenvolvem, ganham sons e cores
guardam sempre as memórias
do jardineiro que alí a cultivou
Os Amigos são mais que flores
nos universos de cada alma são floristas
transformam jardins
em recantos de sabedoria"
Para o IIº Sarau do Maria Amélia, agradecendo o convite da Nathi e do Washington.
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20 de maio de 2011
Éstrela

Arte de Mirian Pires, fotografia de Antonio.
"sóo
ex
isto
ex
ist"
[Leminski]
líquido púrpuro
inebira a sensação
flui em sentimentos
expande a surreação
Vaga-lumes de outrora
desatam-se em mim
desobrigam-me
isentam-me
me iluminam-se
vomito estrelas
batem asas
entre espaços de olhares
sou co-criador
* Analogia que está entre concretismo do mestre e o surrealismo.
** Auto reação a esta provocação: http://oracaoemmovimento.blogspot.com/2010/03/todos-querem-ser-estrelas.html
*** Homenagem a frase do encarte do cd do Denis: "Porque Deus nos concedeu o ensejo de com ele co-criar, fazendo arte que disciplina e ameniza a jornada"
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30 de abril de 2011
26 de abril de 2011
Tocar alguém

Fotografia digital, Nikon D60, Porto, Janeiro / 2011
"Eu estava parado no patamar da escada quando ele disse:
- Tenho sete formas, navegue.
Abraçou-me. Tinha cheiro de mar. Do mar que não há nesta cidade.
Pedi que ficasse..."
[Caio Fernando Abreu]
Entrar na vida de alguém não é brinquedo, muito menos escolha.
Vem, acontece e quando se vê, já se é ferida e magia, alegria e tristeza: Já se é alguém único e ai, a responsabilidade é infinitamente grande e eterna. Eternamente responsável por aquilo que cativas.
A vida é sutil, agressiva, não mede esforços pra nos jogar pra todos os lados da emoção, nos tirar a base quando achamos estar seguros, nos tirar alguém quando menos imaginamos.
Nos joga contra nós mesmos, fazendo jogo com nossa própria voz, colocando pensamentos e vozes onde não queríamos dizer, onde felicitar ou ferir não fora a intenção de outrora nem talvez agora, onde simplesmente se queria fluir, sentir e viver.
A vida nos pede o que podemos dar mas não sabemos, maturidade com leveza, evolução com sutileza, ela nos pede sensibilidade: Sentir.
A vida só é feita pra Viver.
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21 de março de 2011
Em tempos de Lua pomposa
Como é gostoso se perder na beleza da gordinha brilhando lá no céu. Em tempos de Lua cheia (de super lua cheia diga-se de passagem) paramos pra admirar ainda mais esse astro que nos renova todas as noites e nos faz ver que mesmo na falta de luz a natureza nos ampara sem cessar.
É como se ela quisesse ser um planeta grande, não digo em tamanho, mas em impacto de presença (essas coisas da experiência, da moral, que só a evolução interior traz), como é Jupiter, Saturno ou até Capela, como busca ser a Terra. Mas que ainda tem apenas a beleza e a graça de orbitar esse aprendiz mais velho (não em tempo, enfim). É como se soprasse no vento as frases do Tio Leminski:
Carrega consigo essa magia do amor e da solidão, essa ambiguidade até meio paradoxal de carregar junto coisas que estão unidas e separadas, um belo paradoxo. Não tem companhia como as tem os satélites de saturno, aqui, é apenas ela, com seu reinado (de orgulho?).
Enfim, viagens mentais a parte, deixo aqui uma belíssima música que gosto muito do Vitor Araújo. A Lua do nome não é a gorda do céu, mas me remete as madrugadas em claro.
É como se ela quisesse ser um planeta grande, não digo em tamanho, mas em impacto de presença (essas coisas da experiência, da moral, que só a evolução interior traz), como é Jupiter, Saturno ou até Capela, como busca ser a Terra. Mas que ainda tem apenas a beleza e a graça de orbitar esse aprendiz mais velho (não em tempo, enfim). É como se soprasse no vento as frases do Tio Leminski:
"Pelos caminhos eu ando,
um dia vai ser,
só não sei quando"
[Paulo Leminski]
um dia vai ser,
só não sei quando"
[Paulo Leminski]
Carrega consigo essa magia do amor e da solidão, essa ambiguidade até meio paradoxal de carregar junto coisas que estão unidas e separadas, um belo paradoxo. Não tem companhia como as tem os satélites de saturno, aqui, é apenas ela, com seu reinado (de orgulho?).
Enfim, viagens mentais a parte, deixo aqui uma belíssima música que gosto muito do Vitor Araújo. A Lua do nome não é a gorda do céu, mas me remete as madrugadas em claro.
Vitor Araújo - Valsa pra Lua (variação do original) no Instrumental SESC SP
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